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Falta um cérebro no LanceNet

Quando a imprensa é tendenciosa, não tem jeito. O Enviado Especial do LanceNet, Nelson Ayres, fez uma análise absurda sobre uns números da Seleção Brasileira no jogo contra Portugal.

O “enviado” começa o texto falando sobre a importância do meio de campo para criação das jogadas em qualquer time, usando o clichê “cérebro da equipe”, com se fosse uma grande novidade. Depois expõe sua inusitada opinião: “É justamente neste quesito que a Seleção Brasileira vem mostrando um pecado que ainda não foi mortal nesta Copa do Mundo, mas pode complicar a equipe nas próximas fases: sua ineficiência”. Diante dessa afirmação catastrófica o enviado nos alerta para os 26 passes errados do meio de campo da Seleção no jogo contra Portugal. Acrescenta ainda que de acordo com a FIFA o Brasil é uma das piores seleções em lançamento do torneio. Está em 18º lugar, o que, segundo ele, é um dado preocupante. Afirma também que os números não mentem e eles nos mostram que Gilberto Silva foi o jogador que mais errou.

Agora, diante dessas terríveis estatísticas e da interpretação do “enviado”, vamos olhar os números com mais frieza.

O meio de campo da Seleção não errou só 26 passes. Foram 31, na verdade. Porém, o que o “enviado” não nos diz, é que o mesmo meio de campo acertou 282. Ou seja, erraram apenas 11% dos passes. Gilberto Silva errou 14 passes e foi o que mais erros cometeu. Porém, o Gilberto executou 91 passes, quase o dobro do Daniel o segundo jogador que mais passou a bola. Então, o meia pentacampeão, errou apenas 15% dos passes.

Quanto aos lançamentos, realmente foram poucos. Contudo, caso o “enviado” não saiba, as seleções européias costumam jogar com muitas bolas alçadas na área, e as sulamericanas preferem colocar a bola no chão. Provavelmente o Brasil deve estar atrás da França e da Itália nessa estatísticas, mas elas não vão mais cruzar bolas na área de ninguém.

Enquanto ao jogo de Portugal, onde o Brasil jogou contra 10 zagueiros e um metro-sexual no ataque, Dunga colocou 6 reservas em campo. E longe de culpar esses que entraram em campo sem ritmo de jogo e sem entrosamento, pensemos que o Brasil empatou com uma das favoritas ao título. No mais, é intriga da imprensa, cada vez mais frustrada com o sucesso do seu desafeto, o técnico da Seleção Brasileira. Mas, bola pra frente, pois só erra, quem toca.

Se falta um cérebro, deve ser no LanceNet pra enviar um “enviado” desses pra África do Sul. Os números comprovam ineficência do setor criativo brasileiro.

(veja aqui a matéria do enviado)

Dunga zangado com imprensa infeliz

É impressionante como algumas pessoas fazem questão de serem desagradáveis. Talvez por frustração, necessidade advinda de um egocentrismo tardio ou simplesmente pelo prazer de criar a discórdia e aparecer através de uma polêmica. E pior: parece que essa prática desagradável é ensinada como matéria nas faculdades de Jornalismo do Brasil.

A grande imprensa nacional está dando um show de cobertura da Copa do Mundo da África. Flashes ao vivo, equipes de plantão 24 horas, cobertura total e o melhor de tudo: todos os jogos sendo transmitidos ao vivo. Mas a primeira Copa em território africano resgata um antigo problema da nossa Seleção. Como pode uma Seleção Brasileira de futebol ir para a Copa e não se meter em nenhuma polêmica? É um absurdo. Lembro de 86, Zico sendo convocado e levado machucado para a Copa. Em 90, uma seleção totalmente desacreditada com o Lazaroni ao comando. E como esquecer a vitoriosa campanha de 94, onde somente a chegada de Romário no jogo contra o Uruguai acalmou a grande mídia nacional? Quatro anos depois, Romário chora e pinta Zico e Zagalo na porta do seu bar. A seleção perde de 3 para Zidane e companhia e surge a teoria da conspiração (e da convulsão). Felipão assume e fomos para a Ásia empolgados, mas com os pés no chão. Nada de favoritismo e, magistralmente, vencemos com o cabelo de Cascão do Ronaldo. Aliás, a maior estratégia de marketing em uma Copa de todos os tempos. Não se comentava de problemas na seleção, apenas do corte esquisito e horroroso do camisa 9. Em 2006, favoritíssimos. Quarteto mágico, badalação, futebol espetáculo, festa nos treinos, torcida no campo e gol de Henry… Weiser nunca mais sairá das nossas mentes.

Mas, e agora? Não tem polêmica? Tem, sim. Faltou o Ganso e o Neymar. Se perder, Dunga será culpado de não ter levado os “meninos da Vila”. A crítica da imprensa já está pronta para a derrota. Contudo, faltam ainda 45 dias para saber a colocação final da Seleção. Então vamos criticar os detalhes. Kaká discutiu com Felipe Melo. Crise? Não, Kaká abraçou o companheiro no dia seguinte. Droga.

A bola é sobrenatural. Pronto, polêmica. Não, o Kaká disse que eles já se acostumaram com a Jubilani. Próxima. Daniel discutiu com Júlio Batista. Agora temos uma crise. Felipe Melo vem estragar tudo. Dizendo que essa história de crise é uma grande palhaçada. Aí, o Dunga vira o Zangado e fecha o treino para a imprensa. Um absurdo. A seleção é do povo brasileiro, não do seu treinador. E tome críticas ao Dunga.

Que as vuvuzelas abafem o pessimismo
É impressionante como a crônica esportiva está ávida por um escândalo. Os jornalistas se apegam aos pequenos detalhes para criar uma grande polêmica com o scratch brasileiro. Com que propósito? Ganhar audiência? Aparecer com os furos de reportagem? Ou ainda, serem mais importantes que os jogadores convocados? Que pena…

Ouvi um comentário durante o jogo de abertura da Copa que, com certeza, reflete bem o que é a imprensa nacional. Dizia o repórter da TV Globo: Maradona levou seis atacantes e Dunga levou seis “cabeças de área”. Talvez a grande Argentina deva mesmo ser uma referência e servir de exemplo para o Brasil. Uma seleção que não vence nenhuma competição desde 1995, quando ganhou a Copa América. É o famoso “complexo de vira-latas brasileiro”, citado por um famoso corintiano de Garanhuns.

Deixem o Dunga fazer o trabalho dele. Sem polêmicas, sem crises, sem “disse-me-disses”, sem intrigas. Deixe o povo torcer por Kaká, sem falar que ele não está 100%. Elogiar o Luís Fabiano, esquecendo a má fase de seis jogos sem gols. E torcer para não ter de citar a falta do Neymar, como ausência fundamental para a desclassificação antecipada da nossa seleção.

O Brasil não precisa de polêmica, mas de torcida. Nada de pessimismo, sim de vibração positiva. E vamos procurar confiar no elenco atual. Afinal, foi a seleção desacreditada de 94 que conseguiu o tetra, e não a badalada de 82. Vamos, Brasil! Hexa neles. E que as vuvuzelas africanas abafem o pessimismo e as pseudo-polêmicas da imprensa nacional. E aproveitando, mando uma mensagem para o Dunga. Nietzsche já dizia: “quanto mais alto voamos, menores pareceremos, aos olhos daqueles que não sabem voar”.

Por Erick da Silva Cerqueira

No Observatório da Imprensa: 
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=594FDS003

No PenseAi.com
http://www.penseai.com/2010/06/dunga-zangado-com-imprensa-infeliz/