Homenagem

e Dicró cantou pra subir…

Não tem Pavaroti, nem José Carrera, nem Plácido Domingo. Eu sou mais o Bezerra do Galo, Moreira da Silva e Dicró Rei do Bingo.

Agora os Três Malandros estão juntos no céu. E nós, aqui na Terra, perdemos mais um grande comediante.

Conheci Dicró ouvindo os discos de meu pai, ainda na minha infância. Ria muito com suas músicas-crônicas da vida da favela. Narrando o enterro do Ricardão, negando a gravidez da sogra, falando do perigo que é a sua rua ou simplesmente contando seu fim de semana na praia de Ramos com a família. O Rei do Bingo era o último dos malandros vivos. Agora a música perdeu a sua malandragem de uma vez por todas.  Moreira e Bezerra completaram o trio e Deus, mais uma vez, levou pra perto de si o que nós temos de melhor.

A despedida de Dicró é quase uma sentença de morte ao samba malandro, engraçado e sem compromisso com a sociedade da elite. Era música de favela de qualidade. Era o morro se derramando em poesia pra o asfalto. E agora, foi-se.

Dicró a essa altura já deve estar armando uma banca de dominó com São Pedro, contando piada a São Paulo e furando a fila no purgatório. Por que malandro como ele não vai pra o céu de uma vez. Antes, tem de dar uma espiada no inferno pra ver se tem alguma coisa de bom pra vender lá em cima.

Mas o tempo é o sacana mais democrático do mundo, e fechou o paletó do Ricardão de Ramos. Agora, até o piscinão, vai perder um pouco a graça.

Mas um cara que arrecadou dinheiro pra animar o velório de Bezerra da Silva, não merece ser lembrado com tristeza. Salve, Dicró!

Fica abaixo uma entrevista do Jô pra quem não conhecia ele.

Anúncios

Um triste dia para a Globo e para o Brasil

Dia lindo em Salvador. Comecei cedo a trabalhar e preparar mais um site. Por volta das 10 horas da manhã, uma chamada na TV desviou minha atenção do código PHP à minha frente: “Neto Baiano melhor que Messi?” Procurei não dar importância, afinal, como disse o amigo Paulo Afonso Silva: o Globo Esporte Bahia tenta ser original, mas acaba sempre pendendo para a idiotia. Comparar o melhor do mundo, artilheiro do Campeonato Nacional da Espanha, com o goleador de qualquer campeonato estadual do mundo, seria uma aberração. Afinal, seria comparar o Real Madrid com o Bahia, Barcelona ao Vitória, Valência ao Feirense, Bahia de Feira ao Levante e assim por diante.

À tarde, já na Editora Canal2, descubro em um dos “Ctrl+Tabs” para ver as novidades do Facebook, que o mestre Chico Anysio havia falecido. Aí fiquei triste de verdade. Aliás, o Brasil inteiro. Perdemos de uma só vez quase 200 amigos íntimos que nos faziam rir. Perdemos a politizada Salomé, o malandro jogador Azambuja, o contador de histórias Pantaleão, o copiadíssimo Professor Raimundo, o Vampiro brasileiro, o safado do Tim Tones, o safo Véi Zuza, o malandro Bozó, o “belo” Silva, o sábio Profeta e nós baianos, em especial, perdemos o nosso Painho. Em resumo, ele não só morreu como promoveu uma chacina…

Chico foi um artista politicamente incorreto. Em tempos de tantas pessoas “afetadas” e cheias de ego a serem feridos, muitos dos seus personagens não teriam feito sucesso. Painho é um homossexual, pai de santo ávido por dinheiro e preguiçoso. Em um único personagem ele receberia o protesto dos homossexuais, os adeptos do candomblé e ofenderia os baianos. Mas ninguém reclamava e ríamos muito com as suas caricaturas da nossa sociedade. O humor no Brasil deverá ser divido em antes e depois de Chico Anysio.

Chico está chegando, pessoal

Liguei o rádio na Metrópole FM e quase no mesmo instante eles colocaram a última entrevista de Chico aqui na Bahia. Ela se encerrava com a seguinte frase do comediante: “Quando me chamaram de gênio, tive a genialidade de não levar a sério.” Como disse sua última esposa: “Hoje os refletores se acenderam no céu…” Finalmente, Chico Anysio vai poder agradecer o seu talento, num show particular, para Deus.

À noite fui pra casa e descobri que era o dia mais esperado do ano. O fim da novela das 8. Ainda pensando no humor nacional D.C.A., recolhi-me ao meu computador para continuar o site. Em mais um “Ctrl+Tab” para o Facebook descubro que o tão esperado momento na vida dos brasileiros, em 2012, não agradou a sua maioria. Depois de decepcionante final de Fina EstampaBBB na tela. O PHP voltou a ser mais interessante. Era um dia triste.

Fim da sexta e inexoravelmente surge o sábado. Pouco depois do Jornal da Globo, Bibi Ferreira no Jô. Aos 90 anos, ela pretende fazer uma turnê nacional pra comemorar seus 80 anos de carreira. Assisti a entrevista até as 2 da manhã, enquanto terminava o bendito site. No fim da entrevista, ela cantou “La vie en Rose” e “Hymne de l’amour”, de Édith Piaf. Fui dormir regozijado e pensando numa estrofe da última musica cantada por Bibi.

“Dans le bleu de toute l’immensité,

Dans le ciel, plus de problèmes…”

Afinal, Chico Anysio Show está chegando, pessoal. E ele nunca está sozinho.