História

Conhecereis a História e Ela vos libertará

Vendo a tag #DestruaUmaIgreja entre as primeiras do TT – Brasil, no Twitter, lembrei da frase de Marx: “a religião é o ópio do povo”.

A religião, se não é o veneno proposto por Marx, é uma espécie de alucinógeno legal. Muitos fiéis acabam abrindo mão de suas convicções para seguir os ensinamentos de seus líderes religiosos. Quando vejo o pessoal do grupo Manassés, recuperados do vício das drogas, vejo que eles trocaram apenas um vício pelo outro. São viciados em religião.

Não entendo como seres pós-iluministas, conseguem fingir não enxergar as realidades do nosso mundo, com o pretexto de não contrariar regras de condutas escritas há 17 séculos. Como diria Raul: “eu não posso entender tanta gente aceitando a mentira. De que os sonhos desfazem aquilo que o padre falou”;

Obviamente entendo que alguns dogmas já foram quebrados. O fim da Simonia, da venda de indulgências, as mudanças propostas por Lutero… Mas em pleno Século XXI, era das redes sociais e da informação em tecnologias 3Gs, pensar em sexo para fins de reprodução, conjunções carnais somente após o casamento (e se não gostar depois não pode se separar), expulsar demônios, exorcizar água, proibir o uso da camisinha, obrigatoriedade do batizado, cura de homossexuais, é quase surreal.

As igrejas, sejam elas romanas ou protestantes, possuem trabalhos sociais importantes, é verdade. Mas pensemos bem: de onde vem tanto dinheiro?

As igrejas evangélicas pregam muito em cima do Antigo Testamento da Bíblia, quando na verdade, o Evangelho, em si, seria a “Verdade” trazida por Jesus no Novo Testamento. Alguns pastores que conheço, atendem o telefone falando em bom hebraico: “shalom“. Parecem que não entenderam a ruptura com o judaismo, proposta pelo próprio Jesus. Estranho, não?

Mas vamos a alguns dados desconhecidos por milhões de fiéis, não sei o porquê…

A divindade de Jesus foi estabelecida numa votação, em 325 d.C., no Concílio de Nicéia. O Concílio, convocado pelo Imperador Romano Constatino I, foi um  congresso de bispos, que votaram para saber se Jesus era, ou não, divino como o Pai. Jesus não obteve unanimidade e os quatro bispos que votaram contra, foram democraticamente expulsos de Roma.

Agora, pensemos: e se a votação tivesse sido diferente? E se o Cristo fosse considerado meramente mais um dos profetas, e não, o filho unigênito de Deus? E se a Igreja Católica não tivesse sido fundada no Concílio Niceano, por Constatino (e não por Pedro)? Como seria a vida hoje, 17 séculos depois?

Não quero mudar a ordem do mundo, mas algumas coisas precisam ser ditas. Não fosse Constatino, não haveria Igreja Católica. Não fossem os católicos, não teríamos Lutero. Não fosse Lutero e a prensa de Guttemberg, não haveria igreja protestante. Não houvesse igreja protestante, teríamos menos gente orando em inúmeras garagens transformadas em templos por todo o Brasil

Também não entrarei na questão de pessoas doando tudo que tem para instituições riquíssimas e isentas de impostos. Os dízimos são obrigatórios para quem se acha na obrigação de dar. Mas em tempos de #DestruaUmaIgreja, é bom repensar o peso da religião diante de nossas vidas e lembrar que existe muito mais conhecimento no Google que em qualquer Bíblia já impressa, até hoje.

Aliás, a Bíblia, como a conhecemos, começou a ser escrita no ano 10 a.C. contando as incríveis estórias deixadas por seus antepassados e passadas de pai pra filho durante 5 séculos de tradição judaica. Depois foi sofrendo modificações e inserções durante mais 1000 anos. Aí, alguns líderes católicos resolveram compilar todas as histórias e de acordo com os interesses da Santa Sé, classificaram alguns livros como canônico (verdadeiros) e outros como apócrifos (de origem não comprovada). Escolhido os livros surgiu a Bíblia, ou a Palavra de Deus, como a conhecemos até hoje. Isso após mais de 1000 anos de distorções, traduções mal feitas e inserção de interesses político-religiosos. Além, é claro, de diversas inclusões de textos sumérios, estelas egípcias transformadas em Salmos, influências do xamanismo e, claro, textos judaicos.

A Palavra de Deus, passou por inúmeras revisões de homens. E se São João escreveu “conhecereis a verdade e Ela vos libertará”, confesso que também gosto do conselho de São Tomás de Aquino: “temo o homem de um só livro…”

Desinformação, redes sociais e o caos

Há quase 11 anos, uma greve da Polícia Civil da Bahia, organizada pelo então sindicalista Crispiniano Daltro, acabou incentivando também uma paralisação por parte da Polícia Militar da Bahia. Mesmo à frente do comando da greve das polícias, Daltro não conseguiu controlar os PMs baianos com a mesma habilidade com a qual liderava os civis. Surgiu a figura do soldado Prisco. Prisco passou a coordenar algumas “ações de greve” e acabou virando alvo do então governador César Borges e da cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Estado, que pediram a exoneração e prisão do soldado grevista. Exonerado, Prisco conseguiu escapar da prisão com a ajuda de um certo partido de oposição, o PT.

Hoje, sob o comando do PT, a Bahia está vivendo dias de horror. Mas de 86 assassinatos em apenas quatro dias, 192 carros roubados, saques, arrombamentos, arrastões e incêndios criminosos. Policiais encapuzados ordenando o fechamento do comércio dos bairros, rasgando à faca pneus de viaturas, invadindo a Assembleia Legislativa, travando avenidas com ônibus e atirando para o alto para gerar o pânico em algumas regiões do estado. O governador, daquele certo partido de oposição do passado, agora diz que não vai tolerar o vandalismo e os desmandos do grupo de policiais grevistas, e se recusou a aceitar em uma audiência, quem diria, o ex-soldado Prisco e seu grupo de policiais grevistas.

A atual greve da PM foi considerada ilegal pela justiça. Porém, os grevistas não voltaram ao trabalho e quase 80% da cidade parou nestes dias sem PMs nas ruas. Até um jogo do Campeonato Baiano de futebol teve grevistas em frente ao estádio impedindo o time do Bahia de entrar no estádio com o seu ônibus.

Uma quarta-feira de cinzas permanente

A confusão começou quando uma associação de policiais militares, liderados pelo ex-soldado Prisco, decretou a greve. Mesmo sem o apoio declarado dos não-associados, a PM não desmentiu em tempo hábil a greve. Talvez para forçar o diálogo com o governo. Resultado: o pânico se instalou nas redes sociais. A cada minuto boatos sobre arrastões, assaltos a pontos de ônibus, tiros, assassinatos e desmandos dos grevistas passaram a ilustrar as páginas do Twitter e Facebook, misturando-se a fatos verídicos. Porém era difícil separar a verdade dos boatos devido à falta de confirmação dos fatos por parte da imprensa. Em busca de informações, procurávamos em sites de alta confiabilidade, e não achávamos. Resultado: as mídias sociais geraram um pânico tão grande, quanto os policiais de capuz e armas em punho atirando para o alto em frente a um shopping de grande circulação da cidade.

O caos gerado pela greve parece estar começando a mudar a opinião pública. Antes a favor da PM e contra o governo Wagner, agora começam a mudar de ideia, devido aos constantes prejuízos que a greve vem trazendo à economia local. A Bahia parou, porém as imagens de um estado sem comando viajaram o mundo inteiro. Com isso, o carnaval de Salvador, principal manifestação popular e turística do mundo, tende a ser um dos mais fracos dos últimos anos. Economicamente, tem tudo para ser um fracasso e Fortaleza começa a ganhar os turistas que viriam para as ruas da minha cidade.

Nem a Força Nacional ou a Polícia do Exército irão conseguir proteger a imagem da Cidade da Folia, Capital da Alegria e Coração do Mundo. Só a imprensa, e muito marketing, pode salvar a minha Salvador nesse carnaval. E quando passar a folia dos “arrastões de bandidos” e dos cidadãos de bem saqueando lojas como ladrões, ficaremos numa quarta-feira de cinzas permanente, nessa terra, que já foi da felicidade.

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Texto publicado no Observatório da Imprensa, TipoRevista.com.br e na Revista Página de Polícia – edição especial da greve.

Citado no blog americano:
http://tupiwire.wordpress.com/2012/02/10/brazilian-police-strikes-the-return-of-cabo-anselmo/