Comunicação

Globo: piada nacional

O que era pra ser um protesto sério, para mobilizar a “opinião publica” contra uma decisão que desagradava a emissora Vênus Platinada, virou uma piada sem tamanho.

A publicação de uma foto das atrizes da novela das 8 (que começa às 9), em protesto contra a decisão do STF de aceitar os embargos infringentes, todas de preto e caras tristes era pra mobilizar a população. Uma das muitas tentativas de criar uma “imagem viral” feito pela Rede Globo. Não deu certo. O novo golpe da emissora, quase uma patrocinador do julgamento do Mensalão petista, encontrou uma população mais reticente e sarcástica. A foto das atrizes desfilou pelas redes sociais em montagens engraçadas. As atrizes globais receberam o apoio apenas da família de Xanddy e Carla Perez, que obviamente entraram nas charges e montagens também. Ou seja, não colou.

Lembrei-me do tempo em que as “malandragem” da Globo passavam impune. Como no apoio à ditadura, da manipulação do debate de Collor x Lula assumida pelo Boni, a bolinha de papel que levou a Serra a fazer tomografia na cabeça e do William Bonner chamando ao público do JN de Hommer Simpson. Tudo isso passou, mas não tivemos uma resposta contundente da população. A Globo viria a ser piada no caso #CalaBocaGalvão, que deu até no New York Times. Na tentativa de Bonner de desestabilizar a candidata Dilma Rousseff na entrevista pré-eleição, sendo repreendido em público, e ao vivo, pela sua esposa Fátima Bernardes. Até Alex, craque do Coritiba, deu suas “alfinetadas” na emissora, criticando o absurdo horário das partidas de futebol às 21:50h, depois da novela. Um desrespeito ao torcedor que se estendeu ao vôlei, onde na SuperLiga as partidas tiveram seu tempo diminuídas para se adequarem a programação, gerando protesto dos jogadores. Sem contar no caso clássico de piada que foi a luta “ao vivo” do Junior Cigano, que começou trinta minutos após o término do evento e os protestos raivosos contra a emissora durante a Copa das Confederações.

Nas mídias sociais passou a ser chamada de “rede Bobo” ou “rede Esgoto” de Televisão, porém, quase sempre consegue dominar os Trending Topics, do Twitter. A sua popularidade ainda está em alta, isso é evidente, afinal esse texto fala exatamente sobre isso. Mas a sua credibilidade vem diminuindo muito rápido. Nos últimos 12 anos, o JN perdeu 1 em cada 3 dos seus expectadores. Foram incríveis 33% de queda em pouco mais de uma década. Ainda assim, é de longe o telejornal mais assistido no país.

As novelas mantêm-se líderes de audiência, mas ainda assim, bem abaixo do que já foram. Antigamente marcávamos horário de ligações para namoradas (sim, havia vida sem celular), para antes ou depois da novela das 7 ou das 8. Hoje, muitos nem sabem o nome da novela que está passando. Em “será o fim do horário nobre?“, citei o crescimento da internet e dos canais fechados como principais responsáveis pela queda global, mas não imaginei que alguns erros da “toda poderosa” pudessem contribuir tanto para o descrédito crescente da empresa.

Amaury Ribeiro e Rodrigo Lopes, do jornal Hoje em Dia, detonaram uma bomba sobre a emissora carioca. A Rede Globo recebeu 776 notificações da Receita Federal nos últimos dois anos. Uma incrível média de 11 notificações por semana. Além desses processos a empresa foi multada pela Receita Federal em mais de 1 bilhão de reais, por manobra contábil proibida, descrita no processo como “cheia de artificialismos”.

Diante de tantas acusações, problemas fiscais, multas bilionárias, manipulações políticas, descrédito com a população, adequação do esporte à sua conveniência, desrespeito ao seu telespectador, queda livre de audiência, penso que o luto das atrizes deveria ter outro motivo. As carpideiras globais jamais serão esquecidas, diferente do nome da novela em que elas atuam. #GloboFailAgain

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Salvador e o melhor carnaval do mundo

E depois de mais uma semana de carnaval, finalmente colocaremos novamente os pés no chão. Ouvi, como sempre, inúmeras opiniões e reclamações sobre o atual carnaval de Salvador. No programa Roda Baiana, da Rádio Metrópole, ouvi pessoas embasadas sobre o tema, falando sobre outros formatos a serem utilizados, e modificações que poderiam melhorar a festa. Foi muito bom.

Depois conversei com amigos, ouvi suas histórias sobre os tempos áureos do carnaval, sobre as guerras de confetes nos clubes sociais (hoje acabados), o encontro dos trios, as brigas dos Apaxes contra os Comanches, os banquinhos que as famílias levavam pra Praça da Piedade, as serpentinas, as marchinhas…

Os seja, o carnaval de 30 ou 40 anos atrás era melhor que os de hoje. E eram mesmo, pra quem foi adolescente nessa época. As coisas mudam e muita gente não percebeu isso. Criticar a indústria do carnaval é algo normal. Dizer que o carnaval deixou de ser democrático, é discurso comum. Bom é a festa do Rio de Janeiro e democrático é o carnaval de Recife, também já ouvi. Mas será que tudo é verdade?

O carnaval de Salvador não é mais democrático.

Nada mais excludente do que a festa no sambódromo, que a Globo manda para o mundo como a 8ª Maravilha do Terra. Enfeites, plumas, paitês, cores, fantasias, corpos nus e um show de transmissão Global. Tudo isso pra dizer que em duas noites de desfile, onde Escolas de Samba passam 1 hora cantando a mesma música umas 20 vezes, é o melhor carnaval do mundo. No democrático carnaval de Recife-Olinda, proibiram tocar a música baiana e trios elétricos. E aí?

Pensei em perguntas constrangedoramente difíceis para os  críticos do carnaval de Salvador. Se você não é do Recife,  diga o nome de três cantores de frevo. E se você não for carioca, diga o nome de três grandes puxadores de Escola de Samba. Agora, se você for de fora da Bahia, cite 5 grandes nomes da música do carnaval da Bahia. Fácil, só a última.

Além disso, em qual outro lugar você pode ouvir ópera (Nessum Dorma), Rock (Camisa de Vênus), música eletrônica, Arrocha (argh!), pagode, samba, axé, frevo, levada, salsa, lambada, patuscada, semba e outros ritmos, desfilando sobre trios elétricos?

São sempre os mesmos nomes à frente da festa! Fica repetitivo e acabam os espaços dos antigos ídolos.

Será mesmo? Todo ano surgem novos nomes na festa. A desse ano foi Magary Lord. Mas já tivemos Saulo Fernandes, Tuca, Psirico, Harmonia, Fantasmão, Aline Rosa, Cláudia Leitte… A música está sempre se renovando, porém quem não se atualiza fica pra trás. Moraes Moreira (dono do hino do carnaval baiano pra mim, Chame Gente), Luiz Caldas, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Gente Brasileira, tiveram seus auges junto com a chegada de uma banda chamada Chiclete com Banana. A diferença é que Bell e companhia foram mais eficientes, em termos empresariais, do que eles. Daniela Mercury foi Rainha e perdeu a majestade pra Ivete. Mas assim como Ivete soube comprar o Coruja (num bypass histórico sobre Ricardo Chaves), Daniela investiu na Barra, no Crocodilo e no seu camarote. Claudinha Leitte já se garantiu nos próximos carnavais, comprando o falido e mal administrado Papaléguas, e transformando-o no novo sucesso, o Papa. Carlinhos Brown fez a Timbalada e o Camarote Andante. Ou seja, quem investiu, teve retorno. Quem queria ser só artista, hoje é ajudado pela Prefeitura e reclama de falta de espaço.

O que houve meus amigos, friamente analisando, foi a profissionalização de uns e o fracasso empresarial de outros. Por que Luiz Caldas não comprou nem se associou ao Camaleão? Ele é, com certeza, muito mais músico que toda banda do Chiclete junta. Mas foi menos empreendedor que Bell. Perdeu, playboy!

O maior do mundo e melhor de todos os tempos

O carnaval da cidade mais desigual do mundo, não poderia ter uma festa nos moldes comunistas. Porém, ainda assim, de dentro ou de fora da corda, as pessoas podem ver os seus artistas favoritos tocando. Se um lado é mais seguro que outro, é porque assim como na vida, a segurança custa caro. Contudo, chamar um evento gigantesco e lucrativo como esse, de modelo que não dá certo, é resenha de ressaca na quarta-feira de cinzas…

Viva o maior carnaval do mundo, o mais democrático e o melhor de todos os tempos (ao menos até o ano que vem).

Por Erick Cerqueira (baiano como a porra!)