Wagner, o desgaste, os prefeituráveis e meu pessimismo

Quando Wagner venceu as eleições na Bahia, escrevi o meu primeiro texto para o Observatório da Imprensa. “Nasce o sol ao 2 de outubro”, falava sobre a queda do grupo do finado Senador ACM e a ascensão de uma nova era na política brasileira. E foi assim. O carlismo perdeu força, seus discípulos se dividiram e a Bahia, enfim, deixava de pertencer a uma  oligarquia e começava o primeiro mandato petista no governo da Bahia.

No início todos tivemos paciência. Afinal, não se muda um Estado do dia para a noite. E algumas coisas eram evidentes. A nova oposição não sabia fazer o papel de oposição, pois se acostumara com seus 18 anos no poder. Fragmentada, não tinha o apoio de ninguém. Os sindicatos e associações, eram todos de “pseudo-esquerda” e a população havia dito ‘não’ a eles nas urnas. Logo, Wagner voava em céu de brigadeiro.

Reeleito com certa facilidade, o governador continuava seu trabalho tranquilo. Com muitos problemas na saúde e a insistência em manter Jorge Sola. Com problemas na política de segurança, que levou a queda do ex-secretário Cesar Nunes, e sua equipe. Mas ainda assim, ia-se levando.

Porém, os líderes sindicais que ganharam cargos no governo para evitar problemas, parecem ter perdido força junto aos seus comandados e as bases cansaram de ser apenas, base. Eis que surgem as duas maiores greves do Governo e enfraquecem nacionalmente o governador. Pra piorar, Waguinho, cansado de lidar com PMs e professores grevistas, vive viajando. As oposições aprenderam a se articular e alguns meios de comunicação entraram na briga. Dentre eles a Rede Metrópole de Comunicação, comandada pelo ex-prefeito Mário Kértesz, futuro candidato ao Palácio Thomé de Souza.

Desgastado demais, o governador terá o ônus de carregar 15 dias de greve da Polícia Militar, assassinatos, assaltos, arrastões, insegurança, comércio fechado e todo tipo de violência. Como se não bastasse a PM, irá levar para as eleições municipais uma greve absurda (dos dois lados) de mais de 60 dias dos professores do Estado. Para piorar a situação, seu candidato à prefeitura, o Sr. Nelson Pellegrino, é antipatizado pelos não-petistas e está longe de ser uma unanimidade dentro do próprio partido. Ponto positivo para as oposições. Porém, essas oposições, não tiveram a competência de lançar um candidato único na disputa. Logo, separados e enfraquecidos, irão dividir votos importantes que poderiam ser decisivos para vencer a disputa ainda no primeiro turno. Ao candidato do Governador e o dono da Rádio Metrópole, irão se juntar os ex-prefeitos Antonio Imbassahy e Lídice da Mata, o neto de ACM (com vice do PV?), Alice Portugal e mais uma série de anônimos sonhadores.

O fato é que a situação está tão desesperadora, por causa do atual prefeito, que pra quem está se afogando nas famosas enchentes de Salvador, qualquer jacaré parece tronco.

Mas é certo que nessas eleições, não importa quem ganhe, pois todos nós, soteropolitanos, sairemos derrotados…

 

 

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