Salvador e o melhor carnaval do mundo

E depois de mais uma semana de carnaval, finalmente colocaremos novamente os pés no chão. Ouvi, como sempre, inúmeras opiniões e reclamações sobre o atual carnaval de Salvador. No programa Roda Baiana, da Rádio Metrópole, ouvi pessoas embasadas sobre o tema, falando sobre outros formatos a serem utilizados, e modificações que poderiam melhorar a festa. Foi muito bom.

Depois conversei com amigos, ouvi suas histórias sobre os tempos áureos do carnaval, sobre as guerras de confetes nos clubes sociais (hoje acabados), o encontro dos trios, as brigas dos Apaxes contra os Comanches, os banquinhos que as famílias levavam pra Praça da Piedade, as serpentinas, as marchinhas…

Os seja, o carnaval de 30 ou 40 anos atrás era melhor que os de hoje. E eram mesmo, pra quem foi adolescente nessa época. As coisas mudam e muita gente não percebeu isso. Criticar a indústria do carnaval é algo normal. Dizer que o carnaval deixou de ser democrático, é discurso comum. Bom é a festa do Rio de Janeiro e democrático é o carnaval de Recife, também já ouvi. Mas será que tudo é verdade?

O carnaval de Salvador não é mais democrático.

Nada mais excludente do que a festa no sambódromo, que a Globo manda para o mundo como a 8ª Maravilha do Terra. Enfeites, plumas, paitês, cores, fantasias, corpos nus e um show de transmissão Global. Tudo isso pra dizer que em duas noites de desfile, onde Escolas de Samba passam 1 hora cantando a mesma música umas 20 vezes, é o melhor carnaval do mundo. No democrático carnaval de Recife-Olinda, proibiram tocar a música baiana e trios elétricos. E aí?

Pensei em perguntas constrangedoramente difíceis para os  críticos do carnaval de Salvador. Se você não é do Recife,  diga o nome de três cantores de frevo. E se você não for carioca, diga o nome de três grandes puxadores de Escola de Samba. Agora, se você for de fora da Bahia, cite 5 grandes nomes da música do carnaval da Bahia. Fácil, só a última.

Além disso, em qual outro lugar você pode ouvir ópera (Nessum Dorma), Rock (Camisa de Vênus), música eletrônica, Arrocha (argh!), pagode, samba, axé, frevo, levada, salsa, lambada, patuscada, semba e outros ritmos, desfilando sobre trios elétricos?

São sempre os mesmos nomes à frente da festa! Fica repetitivo e acabam os espaços dos antigos ídolos.

Será mesmo? Todo ano surgem novos nomes na festa. A desse ano foi Magary Lord. Mas já tivemos Saulo Fernandes, Tuca, Psirico, Harmonia, Fantasmão, Aline Rosa, Cláudia Leitte… A música está sempre se renovando, porém quem não se atualiza fica pra trás. Moraes Moreira (dono do hino do carnaval baiano pra mim, Chame Gente), Luiz Caldas, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Gente Brasileira, tiveram seus auges junto com a chegada de uma banda chamada Chiclete com Banana. A diferença é que Bell e companhia foram mais eficientes, em termos empresariais, do que eles. Daniela Mercury foi Rainha e perdeu a majestade pra Ivete. Mas assim como Ivete soube comprar o Coruja (num bypass histórico sobre Ricardo Chaves), Daniela investiu na Barra, no Crocodilo e no seu camarote. Claudinha Leitte já se garantiu nos próximos carnavais, comprando o falido e mal administrado Papaléguas, e transformando-o no novo sucesso, o Papa. Carlinhos Brown fez a Timbalada e o Camarote Andante. Ou seja, quem investiu, teve retorno. Quem queria ser só artista, hoje é ajudado pela Prefeitura e reclama de falta de espaço.

O que houve meus amigos, friamente analisando, foi a profissionalização de uns e o fracasso empresarial de outros. Por que Luiz Caldas não comprou nem se associou ao Camaleão? Ele é, com certeza, muito mais músico que toda banda do Chiclete junta. Mas foi menos empreendedor que Bell. Perdeu, playboy!

O maior do mundo e melhor de todos os tempos

O carnaval da cidade mais desigual do mundo, não poderia ter uma festa nos moldes comunistas. Porém, ainda assim, de dentro ou de fora da corda, as pessoas podem ver os seus artistas favoritos tocando. Se um lado é mais seguro que outro, é porque assim como na vida, a segurança custa caro. Contudo, chamar um evento gigantesco e lucrativo como esse, de modelo que não dá certo, é resenha de ressaca na quarta-feira de cinzas…

Viva o maior carnaval do mundo, o mais democrático e o melhor de todos os tempos (ao menos até o ano que vem).

Por Erick Cerqueira (baiano como a porra!)

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