Eu ofereço risco à sociedade!

Fiquei assustado com uma reportagem do Domingo Espetacular do dia 24 de março de 2011. Descobri que eu sou um serial-killer em potencial.

Na “Reportagem da Semana” o repórter se esforçava para mostrar que existem relações entre as últimas chacinas do Brasil e os jogos de tiro. O atirador de Realengo e o baiano Mateus da Costa Meira foram citados para mostrar que os jogos violentos podem influenciar as pessoas a cometerem chacinas.

Falando do Mateus da Costa, o repórter ainda ressaltou que ele assistia ao violento filme, Clube da Luta. É complicado. O cidadão foi ao cinema com uma sub-metralhadora. Se ele estivesse assistindo à “Barbie, a Princesa da Ilha”, ainda assim teria cometido crime. Pela lógica do repórter, ele deveria ter “saído-na-mão” (do baianês, “lutado”) com os espectadores do cinema em questão e não atirando…

Em entrevista com um amigo do assassino de Realengo, ouvimos que o atirador passava horas a fio, em frente ao computador, com jogos violentos. Esse comportamento teria influenciado de forma agressiva o jovem assassino-suicida carioca, levando-o a cometer o crime. Foi aí que me assustei e explico o porquê.

Passei minha infância brincando de polícia-e-ladrão, atirando nos colegas. Esgrimei muito com cabo de vassoura, brincando de Zorro. Saia brincando de luta depois dos filmes de Bruce Lee. Além das brincadeiras perversas de “Garrafão”, “São Marcelo” (quem xingava apanhava até assobiar), “Castanha”, entre outras.

Meus brinquedos também eram violentos. Os soldados do Comandos em Ação e S.O.S. Comando eram os prediletos. Tinha praticamente um exército e um arsenal dentro de casa. Tinha mais tiro nas brincadeiras que em qualquer filme de faroeste…

Os jogos, no Atari (xiii… envelheci-me uns 50 anos, agora), também eram violentos. Mal feitos, mas violentos. Em Halloween, o assassino degolava a criancinha. Em Bank Heist assaltávamos bancos com um carrinho. Em Xman… Bem, melhor pular essa explicação… Depois veio a era do computador e aí piorei muito a minha conduta. Counter-strike, Doom, Wolfenstein, Battlefield, Combat Arms… Dei tanto tiro que quase virei um atirador de elite.

Para piorar minha situação, minha infância-adolescência foi marcada por filmes violentíssimos. Sexta-Feira 13 (assisti a todos), A Hora do Pesadelo, HellRaiser, Halloween, Poltergeist, O Exorcista, Platoon, Rambo, Papillon, Bruce Lee’s, etc.

Logo, senhoras e senhores, eu sou uma ameaça para sociedade. Muito mais perigoso que o pedreiro Luiz Carlos Oliveira, de 50 anos (que nunca jogou Counter-Strike na vida), e responde em liberdade, após matar com golpes de garrafa e pé-de-cabra a jovem Mariana Gonçalves de Souza de 21 anos. Ele só passou um mês preso e a juíza Elizabeth Louro, do 4º Tribunal do Júri da Capital do Rio de Janeiro, o soltou com o seguinte argumento:

“o denunciado teve a iniciativa espontânea de comparecer à DP no dia seguinte aos fatos, para prestar declarações, onde, aliás, confessou a conduta”. Ainda segundo a juíza, Luiz Carlos não oferece risco e não deve ficar preso durante o andamento do processo porque “forneceu o endereço de sua irmã como o local onde poderá ser encontrado (…)”

Por isso senhores, de acordo com o Domingo Espetaculoso, confesso: eu ofereço risco à sociedade… “Tô lenhado, viu”?
.

Vejam a matéria do Domingo Espetacular

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