Carnaval. Viagem à França e Portugal

Amo carnaval, mas esse ano decidi deixar Salvador para os turistas e resolvi buscar novas histórias.  A bordo do Ivete Sangalo (ferry-boat) singrei mar à dentro até aportar em terras lusitanas.

Portugal, em 1807, era um país que havia um passado glorioso e um presente, então, caótico. A Rainha Maria I, a Louca, havia deixado o filho primogênito, D. José, morrer de varíola sem ser vacinado, por achar que não deveria contrariar as vontades de Deus. Esse episódio deixou-a mentalmente instável e viu o seu segundo filho, D. João VI, assumir interinamente o governo.

Vi as tropas napoleônicas, cansadas, famintas e maltrapilhas, conquistarem Lisboa sem disparar um único tiro, pois a corte portuguesa havia embarcado para o Brasil. O príncipe regente, D. João VI, enganara Napoleão ao fugir dias antes para a sua “colônia americana”, sob a proteção da poderosa esquadra britânica. Em troca, ao chegar a Bahia, o príncipe abriria os portos brasileiros para o comércio internacional, especialmente para a Inglaterra, obviamente.

A viagem havia sido torturante para a corte, que em meio as péssimas instalações das naus lusitanas, sofreram com a falta de água potável, comidas estragadas e, principalmente, com a infestação de piolhos. Essa praga levou as mulheres, inclusive a futura rainha, Carlota Joaquina, a rasparem os cabelos e jogarem suas perucas ao mar.

No Brasil a comitiva se dividiu. D. João aportou em Salvador para conter a revolta dos separatistas baianos, que irritados com a transferência da capital do país para o Rio de Janeiro, começavam a lutar pela independência do Brasil. O príncipe regente esforçou-se para agradar os súditos. Distribuiu moedas de ouro, proclamou abertura dos portos, criou a primeira Faculdade do país, distribuiu de títulos (condes, duques, viscondes…) e realizou cerimônias de beija-mão. Conquistado, o povo baiano pediu que ele ficasse na cidade. Mas Salvador não era tão segura, contra uma possível invasão de Napoleão, quanto o Rio de Janeiro. Então o covarde (mas esperto) regente, desceu para a capital pouco tempo depois.

Já em solo carioca começaram as principais mudanças no Brasil. O país deixava de ser apenas uma reserva de extração de minérios, madeira e víveres, para começar a ser encarado com mais seriedade por D. João.  A elite brasileira, endinheirada e sem classe, começava a “doar” quantias vultosas para a corte portuguesa, elegante e sem dinheiro. Começava a corrupção em nosso país. Traficantes de escravos ganhavam títulos de nobreza por causa das suas doações ao futuro Rei do brasileiro. A rainha morre e o príncipe vira Rei. Depois o Rei é obrigado a voltar para Portugal e deixa seu filho no Brasil, para ser o novo imperador um ano depois.

 

Retorno para 2011 e, já de volta para o futuro, descubro que a Mulher Maravilha fugiu com o Superman, Talula saiu do BBB e Bel do Chiclete ganhou dois milhões de reais para fazer a barba.

Agradeço a São Laurentino Gomes por ter escrito o livro 1808, que conta como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil. E agradeço também a Dona Eloísa Malaquias por ter deixado eu ler o seu livro. Valeu, Loló!

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