A ré-volução da Música

É incrível a força de uma boa música. Depois de 12 horas de trabalho, noventa minutos de futebol, nada como parar em frente ao computador, acessar a rádio UOL e “dar de cara” com um disco do Frank Sinatra & Tom Jobim. Mas, pensemos: que raio de evolução é essa? Um contraste tão gritante quanto imperceptível. A tecnologia evoluiu numa velocidade tão grande que a genialidade dos nossos artistas parece não ter conseguido acompanhar essa evolução.

Por que será que ainda ouço dois artistas, falecidos há tanto tempo, para aliviar a mente de um dia estressado?  Respondo: porque fiquei parado no tempo e não percebi que a concepção musical muda de tempos em tempos. João Bosco (o genial ex-parceiro de Aldir Blanc, não do Vinícius) disse uma vez: “antes a gente sentava pra ouvir música, hoje a gente levanta”. A música tornou-se apenas um produto para sacudir o corpo, e nada mais. E na era do ControlC+ControV, nada se cria, tudo se copiar e depois se cola… Seria a Ré-volução da música. Um retrocesso criativo? Ou somente um período de homenagens?

As imitações, ou “inspirações”, tornaram-se extremamente corriqueiras. A voz de Jamiroquai é quase a de Stevie Wonder. Já a Beyoncé seria a Tina Turner 2.0 (com pernas ainda mais bonitas). Lady Gaga não passa de uma Madonna de segunda linha. A genial Amy Winehouse deve ser muito fã da Ella Fitzgerald, pois sua voz nos leva a viajar no tempo e ouvir Ella. Mas Amy ainda foi mais além. Na música Tears Dry on Their Owm ela faz uma “homenagem” a Marvin Gaye, utilizando a base melódica de Ain’t no Mountain High Enough”. MC Hummer em “U Can’t touch this plagiou a introdução de Super Freak, do dançante Rick James. Between others 🙂

Não existe pecado do lado de baixo do Equador

Contudo a coisa fica ainda pior quando descemos abaixo da Linha do Equador, onde coisas terríveis (aos MEUS ouvidos, logicamente) ainda conseguem ser copiadas. O Harmonia do Samba pariu coisas como Parangolé, Psirico, dentre outras. A histeria estridente da Calcinha Preta, criou um novo “estilo” de forró (ou lambada, merengue, sei lá) que acabou virando “referência” para as novas.

Mas podemos despencar ainda mais o nível musical e encontrar o “assassino” Silvano Sales. Sim, esse “cantor apaixonado” tem o hábito de assassinar toda e qualquer canção que faça algum sucesso nas rádios. E o pior, ele ainda grava e vende muito seus CDs. Esse ser, saído das profundezas melódicas baianas, criou um “estilo” e acabou sendo plagiado pelos novos “qualquer-coisa-dos-teclados”, cantores de Arrocha. Um deles é o international Herbert Hakan. Com um inglês de dar inveja ao Sean Connery, Mr Hakan teve a cara de pau de assassinar um clássico do Rock mundial. “Have you ever seen the rain”, do Creedence Clearwater, virou “Reviu éve si de Reii“. Um clássico do Youtube. Esse já é caso pra Interpol.

É triste viver num mundo em que o Restart é chamado de banda de rock, os Paralamas tiveram de tocar com o apoCalypso, o Sertanejo Univesitário é Top das rádios, arrochas, pagodes baianos, funks cariocas são escutados por milhões de brasileiros.

Mas o gosto é uma particularidade. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, disse o poeta Caetano. Pensando bem, acho que é isso. Falta poesia e sobram refrões de fácil assimilação, ritmos dançantes e homens e mulheres bonitas no palco.

And now the end is near, vou confessar: escrevi tudo isso somente para indicar o disco do Tom e do Sinatra pra vocês. Ninguém é obrigado a gostar, mas ouçam pelo menos uma vez. Faz bem pra o coração e aos ouvidos. Ah, e deixem suas opiniões e gostos musicais como comentário. Quem sabe não trocamos uns MP3s. E viva a tecnologia…

Clique e apreciem sem moderação: Frank Sinatra e Tom Jobim

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