O passado explica mesmo o presente

Devo estar mesmo ficando velho.

Eu e a matemática

Essa constatação chega quando nós começamos a ficar saudosistas e falar sobre os velhos tempos. E, como diria minha mãe, eu já sou um jovem senhor no auge dos meus trinta e poucos anos. Sou do tempo onde se estudava Educação Moral e Cívica nas escolas, o famoso EMC. Nessa disciplina aprendíamos sobre a “Gloriosa Revolução Militar de 64”. A Geografia nos ensinava que a água era uma fonte renovável e inesgotável da natureza. Na Matemática nunca aprendi o porquê do “X” dar tantas voltas para no final ser considerado igual a zero. Jamais entendi o objetivo de estudar a tabela periódica, já que sempre usávamos o “H” e o “O” somente. Porém, sempre gostei mesmo foram das aulas de História. Em especial, uma professora, chamada Maria das Graças. Ela tinha o dom de explicar o presente com o passado, como uma cartomante invertida. E aquilo me fascinava, mas nunca disse isso a ela.

Mas isso são os velhos tempos, onde eu achava que estudar era sinônimo de decorar para passar e pronto. Tempos onde aprendi coisas que nunca usarei na minha vida e nem sei nem porquê lembrei disso. Vou falar de política atual.

Do EMC à manipulação da mídia

O cenário político atual é muito diferente do tempo em que estudei, lá no início dos anos 80. Hoje, a “Gloriosa Revolução de 64”, é mais conhecida como o “Golpe Militar de 64”, onde temos a plena convicção das atrocidades feitas contra aquele que se rebelava contra o poder armado e constituído. Contudo, uma coisa é latente. Ainda hoje tentam manipular a nossa mente com informações falsas, ou simplesmente, distorcidas para melhor aproveitamento delas. O “X” ainda peregrina muito para virar zero. Porém, atualmente dá muitas voltas a mais. As pesquisas sobre as intenções de voto para eleição do Presidente da República (algo também inexistente na minha infância), possuem um dispositivo legal chamado “margem de erro”, onde as vezes 8% pode ser igual 12%. Os idôneos institutos de pesquisa, apesar de avaliarem praticamente o mesmo público, divergem de forma abrupta quanto aos resultados. Em um deles, a candidata “A” possui 36% e o seu adversário “B” possui 37%. Logo, A<B. Já no outro, “A” é igual a 41% e “B”, que era maior, aparece com 33%. Aí é que “X” vai ximbar (do baianês: se dar mal)  pra ser igual a zero. Se B-A=1 e depois A-B=8 como é que “X” vai ser igual a zero, pelo amor de Deus? Fundi minha cuca. Talvez a matemática precise da Geografia. “A” é menor que “B” no sul, e maior no resto do país. Pronto, assim fica fácil.

Graças à Maria das Graças

A Gloriosa Revolução de 64

A Gloriosa Revolução de 64

Profª Graça me ensinou que o passado explica o presente. Como naquele tempo os livros eram desenvolvidos para agradar à Extrema Direita no poder, hoje a imprensa e seus apaziguados Institutos de Pesquisas fazem o mesmo para levar a realidade deles à opinião pública. O problema é entender as nomenclaturas atuais. A Gloriosa Revolução de 64 pode ser entendida como “o Brasil pode mais”. A ameaça “comunista que come criancinhas”, tornou-se Radicais ou ex-terrorista assassina. Façamos agora como o Telecurso 2º grau. Vamos pensar: qual foi a principal justificativa para instauração do Golpe de 64? Lembram? Resposta: evitar que a ameaça “Vermelha”da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) tomar conta do país.

Bem, a água não é mais um recurso renovável inesgotável, a tabela periódica só usei na minha vida fazendo Palavras Cruzadas, nunca entendi a utilização prática do cateto adjacente sobre a hipotenusa (co-seno), jamais compreendi a necessidade de decorar os afluentes da margem esquerda do Rio São Francisco e fico frustrado ao pensar que nunca usarei os meus conhecimentos sobre citoplasma desenvolvido nas aulas de biologia. Mas àquela magrinha-branquinha, chamada Profª Maria das Graça, da Escola Angelina Assis, serei eternamente grato. O passado explica mesmo o presente. Em época do remake da novela Tititi e de dezenas de re-gravações musicais, acho que a Gabriela Duarte poderia fazer o papel da mãe no vídeo MEDO, produzido na campanha presidencial de 2002. Fica a sugestão para os tucanos. E abaixo, o vídeo catástrofe que felizmente não deu certo.

E a esperança venceu o medo…

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