Sobre políticos e eleições

Estamos em plena corrida eleitoral. As propagandas políticas, liberadas apenas para julho, já povoam todas as manchetes dos jornais. Mas será que já conhecemos os nossos presidenciáveis?

A pequena grande desafiante
De um lado, uma candidata de origem humilde, ex-seringueira, ex-ministra do meio ambiente, oriunda dos movimentos populares e do PT, Marina Silva. Poucas chances de ser eleita, pela falta de espaço na mídia e principalmente por possuir pouquíssimo tempo na TV no Horário Eleitoral Gratuito. Engraçado esse termo, “gratuito”. Os pequenos partidos, sem chance alguma de eleição, acabam se juntando aos grandes partidos na esperança de conseguir uns cargos na gestão vencedora. Não seria isso uma negociação envolvendo dinheiro? Pois bem, continuemos agora, falando dos Grandes.

Eu não sou FHC, acreditem!
No outro canto, uma aliança antiga e recheada de mágoas, desavenças e traições mútuas traz uma outra proposta. PSDB e DEM (ex-pfl, ex-arena) apostam suas fichas em uma figura obscura e com histórico de derrota na corrida presidencial. Sobre ele a responsabilidade de reconquistar o poder dos tempos de FHC. Porém, os assessores de marketing, do partido, possuem problemas terríveis para resolver com a comunicação. Como falar de governo presidencialista do PSDB/DEM, fazendo com que a população não associe esse “novo” projeto com o governo FHC? Como dizer “governaremos para o futuro” e apresentar uma política recheados de figurinhas carimbadas dos tempos do Fernando Henrique? Mas o maior problema é esse: precisamos evitar comparações dos governos FHC/Serra com a gestão Lula/ Dilma. Porém, como fazer isso? Precisamos bater em Dilma, sem citar o sacro nome do presidente da república no auge dos seus 80% de aprovação. Seremos o pós-Lula, nunca o anti-Lula. Ao nosso lado a imprensa marrom/ azul/ amarela. O povo é só um detalhe, diria Justo Veríssimo. A gente manipula com notícias semióticas, informações apócrifas e uma boa fala no horário político eleitoral. O resto é comício…

Eu sou Lula, acreditem!
Em contrapartida, surge uma candidata técnica demais para um público popular demais. A falta da experiência política de Dilma é um calo para Partido dos Trabalhadores. A estrela dela nunca brilhará como a do atual presidente. Dilma é a cara do PDT, do PMDB, não do PT. Possui o apoio de Lula, mas não o seu carisma. Fez plástica para ficar mais “apresentável” ao grande público, mas seu jeitão de tecnocrata é indisfarçável. Distribuiu sorrisos no carnaval de Salvador, mas não toma cachaça, nem torce pra o Corinthians paulista. Seu sorriso tornou-se mais constante, contudo ainda não chegou no “ponto”. Está sendo trabalhada, moldada, dilapidada e esculpida para disputar a sua primeira eleição. E isso é o seu maior ponto fraco. Como ela se sairá nos debates, nos palanques, no contato com o povo, nas alianças políticas? Confesso que não vejo a Sra. Rousseff beijando criancinhas negras no interior do sertão. A seu favor, seu partido e a máquina governamental atual. Duvido que ela tenha viajado tanto, e em tão pouco tempo, na sua vida inteira. Possui ainda as credenciais de ter implantado projetos importantes do atual governo, como o PAC e o “Luz para todos”. Seus inimigos usarão seu passado para descredenciá-la. Um empresário de São Paulo à chamou de “guerrilheira”, em conversa informal. Porém, usado de forma correta, seu passado de combatividade, à ditadura militar, pode ser mais bem usado que o exílio do Serra.

Lula no HardTalk

Política mais sem graça
Pois é, senhores. Está chegando a hora de votar. Sinceramente, a única coisa que me entristece nessa “festa da democracia”, onde todos nós somos obrigados a exercer esse nosso “direito”, é que ganhe quem ganhar teremos um governo mais chato. Serra ou Dilma, nunca mais teremos as grandes frases, quase diárias, do Lula. Suas tiradas engraçadas, seus erros de português. A política ficará mais sem graça, com certeza.

Assisti recentemente na internet, as entrevistas de Lula e FHC no programa da BBC, Hard Talk. O ex-presidente foi humilhado. Parecia um expert em política brasileira detonando o senhor Fernando Henrique em todos os pontos fracos do seu governo. Um prato cheio pra campanha petista desse ano. Já Lula, sorridente e descontraído, chegou a dizer ao apresentador: “estou sendo obrigado a convidá-lo pra ir conhecer o Brasil“. Apresentou dados do seu governo e colocou em saia-justa o apresentador Stephen Sackur quando este o questionou sobre as pretensões da expansão das áreas de plantio de cana para biodiesel, no Brasil, já que o país terá um dos mais importantes papéis na preservação do meio ambiente, por causa da Amazônia. O jornalista não esperava ouvir isso de um ex-metalúrgico:
– Primeiro: se você pegar o que existia de floresta no mundo há dois mil anos atrás. O Brasil ainda tem 68% das suas florestas. A Europa só tem 0,3%. Segundo: não tentem jogar a culpa em cima dos países pobres e em desenvolvimento pela responsabilidade da poluição do planeta. A poluição do planeta, ela tem 65% de responsabilidade dos países desenvolvidos

Stephen Sackur insistiu perguntando: por que um presidente que se diz o “pai dos pobres”, ainda governa um dos países mais desiguais do mundo. E ai, ouviu uma das grandes tiradas do presidente, disse ele: porque se eu tivesse um milagre, de resolver em quatro anos, os descasos de 500 anos, eu não seria presidente. Seria Deus.
Sinceramente, independente de quem ganhe essa eleição presidencial, sentiremos saudades do Lula Lá.

Por Erick da Silva Cerqueira

Assista a entrevista de Lula no Hardtalk:

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