Caetano, das poesias às polêmicas

Caricatura por Reberson Alexandre

Caetano - Uma triste caricatura de si mesmo.

Caetano Veloso é mesmo engraçado. Um homem que chamou a Bahia e o Brasil de “o cu do mundo” me solta essa pérola:  “Brasileiro adora dizer que o Brasil não presta”, falando sobre a inércia e a síndrome de país desimportante que, em sua opinião, atacam o Brasil.

Esse ex-ídolo nacional parece estar ficando meio gaga. Ou então está entrando pra escola do FHC: “esqueçam o que eu escrevi”. Um dos maiores compositores da nossa música precisa de polêmicas para poder se manter na mídia. É deprimente.

Lembro que aos 14 anos eu o encontrei dentro do bloco Olodum. Abracei o meu ídolo e fiquei emocionado com a simplicidade daquele ícone da resistência cultural brasileira. Hoje tenho quase pena dele. Um homem com o seu histórico, com um talento gigantesco no passado, vive na atualidade uma espécie de remix-trash dele mesmo.

Recentemente ele e sua irmã, a não menos genial Maria Bethânia, revelaram seu apoio a candidatura de Marina Silva, Partido Verde, para a Presidência da República. Bethânia fez quase uma poesia pra dizer que se encantava com a acreana: “Marina me arrebata. É nobre, firme, sóbria. E domina a área dela, a do meio ambiente”. Já o “maninho”, para elogiar a candidata, foi no mínimo “grosseiro e cafona” com o atual ocupante do cargo. Tanto assim que sua mãe, Dona Canô, ligou pra o presidente pra pedir desculpas. Que papelão… Depois de cem anos de vida, precisando se desculpar pela atitude de seu “filhinho” sessentão.

Caê “era um Deus e descobri que é banana de pijamas”. Essa frase de Luana Piovani, foi dita após Caetano desmenti-la no caso da música “Um sonho”, onde o compositor teria afirmado a ela, sigilosamente que Luana era a musas oculta da música. Depois, ele a desmentiu publicamente…

Em outro caso, Caetano afirmou que o negócio da música era bem sucedido no Brasil e não precisava de Leis de Incentivo à Cultura, como a Rouanet. Depois, seus produtores apresentaram projeto de captação de 2 milhões de reais para a turnê do seu disco “Zii e Zie” e ele expulsou um jornalista do seu camarim para não comentar o fato.

Pra completar, criticou o então ministro da Cultura e ex-parceiro Gilberto Gil, quando esse estava no Governo. “Um poeta não pode expurgar um governo. Governos totalitários são viciados em expurgar poetas”. E Gil, simplesmente reagiu: “peçam minha cabeça ao Presidente”. Será que essa história tem a ver com inveja ou seria simplesmente mais um “me desclassifiquem junto com Gil” do filho de Canô?

É triste ver a queda de um ídolo. Um cara que foi trilha sonora de 90% dos meus romances, ficou velho, “muito simpático, mas incompetente”. Um homem que trocou os versos brilhantes por frases polêmicas e desnecessárias, além de contraditórias com sua história. Ele virou uma triste caricatura de si mesmo. Apaixonado por Xanddy, pelo Márcio Vitor do Psi e gravando um disco em homenagem a música americana, país que criticou por boa parte da sua história (vide as músicas “Americanos”, “Guantanamo” e “Haiti”).

Romário falou de Pelé, mas hoje se aplica ao meu conterrâneo: Caetano calado, hoje, é muito mais poeta…

Erick da Slva Cerqueira

PS: Aproveito para divulgar um excelente cordel online (isso é cultura digital), de Antonio Barreto, sobre o episódio Caetano x Lula:
http://barretocordel.wordpress.com/2009/11/22/caetano-veloso-um-sujeito-alfabetizado-deselegante-e-preconceituoso/

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