Onde a morte vende mais que cerveja

lkimA imprensa está a duas semanas falando sobre o mesmo tema. Michael Jackson. Não que queira ser mais um dos chatos a dizer que estamos dando muita atenção a este excêntrico ex-milionário falido e falecido, mas algumas outras coisas mereceriam ser comentadas também.

Honestamente, acredito que uma das informações mais importantes dos últimos anos, não teve grande repercussão na mídia. Um feito que pode indicar a mudança político-econômica mais importante do mundo, desde a saída de Fidel Castro do comando de Cuba. Um comercial de cerveja.

Antes de começarem a desconfiar da minha inclinação etílica, devo afirmar que esse evento aparentemente irrelevante, pode mudar o mundo muito mais que velório/ show do maior astro pop da história. Explico. A referida cerveja do comercial, não continha nenhuma super modelo semi-nua. Gisele Bündchen não era a garota propaganda e Juliana Paes, infelizmente, não fazia parte da peça publicitária. A peça era de péssima qualidade visual, possuía uma musiqueta irritante de fundo e um texto extremamente “duro” para os nossos moldes. Não possuía bichinhos, jingles espetaculares, nada. O produto não será nenhum Best Seller, o preço não é tão acessível, a praça é restrita. Em suma, em termos de Marketing, não atende aos 5 Ps. Mas o que tem de tão especial essa peça publicitária, então? E por que a imprensa deveria se importar com isso?

Esse, senhores e senhoras, foi o primeiro comercial de TV de uma cerveja norte-coreana. Um primeiro sinal capitalista em um dos países comunistas mais fechados do mundo. Um avanço na economia do país armamentista que mais assusta o mundo e, quem sabe, o início da sua abertura para o mercado mundial.

“O orgulho de Pyongyang”

O comercial foi captado por uma TV da Coréia do Sul. Veiculado em uma das TVs estatais norte-coreanas, possuía quase 3 minutos de duração. Muito para os nossos moldes, mas para um país onde tudo é controlado pelo governo, nada que influenciasse muito na programação. Aliás, anúncios como esses, sempre foram proibidos pelo Governo do “homem de cabelos engraçados”.

A República Popular Democrática da Coreia faz fronteira a norte com a China e com a Rússia. Esses dois vizinhos, ex-comunistas, fazem parte do atual BRIC, sigla que designa o grupo dos 4 países emergentes do mundo, juntamente com o Brasil e a Índia. Talvez, essa influência dos vizinhos maiores tenha ajudado nesse início do processo de abertura ao mercado capitalista. Será que finalmente o presidente da Comissão Nacional de Defesa e secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coréia do Norte, Kim Jong-il, está mudando suas convicções ideológicas? Ou será somente mais uma jogada de marketing para exibir o seu país como manchete mundial, de forma gratuita, dessa vez sem mísseis?

De qualquer forma não conseguiu seu intento. Escolheu a data errada para tentar ganhar publicidade grátis. Esse fato, que deveria significar algo para a comunidade mundial, foi ofuscado (assim como o casamento de Alexandre Pato [sic]) pelas infindáveis homenagens à Michael Jackson, que possivelmente nem tocava muito nas rádios norte-coreanas. Faltou espaço nos meios de comunicação para qualquer outro assunto, senão o circo armado pelos familiares do cantor e os sempre a postos espertalhões de plantão.

“Taedong River Beer é o orgulho de Pyongyang”, mas Michael era o orgulho de milhões de fãs por todo o mundo. O comercial de cerveja da Coréia do Norte, que acredito ser uma das mais importantes demonstrações de mudanças no cenário político-econômico mundial dos últimos anos, não teve como competir com a força capitalista dos EUA, que USA e abusa do marketing há anos, com muita competência. Lá, até velório de artista vende mais que cerveja. Nessa guerra, a Coréia do Norte perdeu. E feio.

Os mísseis, caro Kim Jong-il, ainda são o produto mais conhecido da sua República “Democrática”.

Erick Cerqueira.

Link para comercial http://videos.publico.pt/Default.aspx?Id=49030540-c67b-4dcf-bc45-e4a61fb1b8dd

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1 comentário

  1. Sua inclinação etílica é um tanto questionável, mas como não vem ao caso nesse momento…
    Realmente foi um fato-histórico que passou despercebido pela mídia nacional e, até, arrisco dizer, internacional. Os mísseis que consequentemente recaem em guerra serão sempre o alvo da mídia, pois espetáculos como o que estamos acompahando: de afronta, retaliação e, logo, então, invasão dão um show a parte na audiência.
    Pode até vir devagar, mas não tardará para que o capitalismo bata a porta dos Srs. de olhos puxadinhos.
    Parabéns pelo artigo.

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